Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]




O valor do trabalho na nova economia

por Ana Gabriela A. S. Fernandes, em 22.10.16

 

 

Já aqui procurei analisar o papel dos consumidores na economia. E como a sua importância é cada vez maior.

Vivemos na transição entre uma economia muito dependente da finança e uma  economia baseada no conhecimento e na sua aplicação.

Mas nesta fase o papel dos bancos é fundamental como um dos motores da economia, pela opção de investimento em empresas, projectos, modelos económicos produtivos.

É aqui que entra a Caixa Geral de Depósitos. Fundamental para a economia portuguesa nesta fase de arranque da economia. Ora, o seu papel como um motor da economia depende da gestão inteligente, com visão e eficaz.

 

Há ainda no país uma mentalidade que vê o trabalho como um valor menor do que as operações financeiras, por exemplo. Isto é, é correcto ganhar em bolsa pipas de massa mas é incorrecto pagar um valor de mercado por um trabalho de qualidade.

O trabalho deve ser revalorizado no país. E devem ser os resultados que devem passar a determinar o patamar da remuneração. Claro que não estou a falar de dividendos ou de prémios indevidos e escandalosos.

 

Uma cultura da colaboração diverge de uma cultura da competição no equilíbrio que promove e, também por isso mesmo, valoriza o trabalho e a sua qualidade.

E isto vale para todos, e também para os políticos e gestores políticos. Por exemplo, se os deputados do PSD não colaborarem no OE 2017, pode perguntar-se: o que é que estão a produzir? Valem o que auferem dos impostos dos contribuintes? 

 

publicado às 08:30

As novas tecnologias não escondem a cultura subjacente

por Ana Gabriela A. S. Fernandes, em 11.10.16

 

 

É raro ver uma situação social e económica tão mal gerida como esta actual dos táxis vs carros não identificados de transporte de passageiros.

Como a maioria dos consumidores de notícias, debates televisivos, discursos directos e redes sociais é acrítica, não observa nem reflecte, aderiu de imediato às plataformas sem questionar o que está por trás.

É por isso que o barómetro do Prós e Contras apontou para as plataformas.

E é por isso também que nas redes sociais se multiplicaram opiniões insultuosas e agressivas contra os táxis.


Há plataformas e plataformas. Há aplicações e aplicações. As novas tecnologias não escondem a cultura subjacente. Como não escondem o tipo de economia que praticam. 

A estratégia é invariavelmente a mesma: entra-se num sector de mercado com o inatacável argumento de facilitar a vida ao consumidor, poupar tempo e dinheiro, utilizando as novas tecnologias, e empurram-se os que já existem para dentro ou para fora. O céu é o limite, tudo pelo progresso, afinal estamos no séc. XXI, tudo pela liberdade de mercado, pelo bem-estar do consumidor, quantos mais melhor.

A cultura subjacente é apenas e tão somente a mais pueril e selvagem: o lucro fácil e garantido pelo menor esforço de investimento e pela menor preocupação com a segurança do próprio consumidor.


Por isso soa tão estranha a atitude dos responsáveis do governo pela gestão deste conflito social e económico. Desde a sua ignorância, ausência de visão e de cultura do interesse público, até à sua arrogância, cinismo e mesmo falta de respeito pelo cidadão que paga impostos, neste caso pelo motorista de táxi e pelo consumidor. 

Um gestor público deve prevenir problemas em vez de os agravar. Qualquer liderança com um mínimo de empatia e de bom senso teria percebido que um sector fragilizado e em desespero age de forma emocional. E quem sabe se isso não faria parte da estratégia para as negociações - e assim se entenderia a oferta dos 17 milhões? Pior é impossível.


Esperemos que o PM, quando aterrar da China, consiga desenredar e clarificar esta triste situação. O governo tem promovido a cultura da sensibilidade pelas questões sociais e o respeito pelos mais vulneráveis. 

Não se trata, por isso, de um sector obsoleto vs um sector futurista, trata-se de duas culturas de base perfeitamente identificáveis. 

No essencial, há 2 tipos de tendência da economia de séc. XXI: uma, selvagem e desregulada, sem responsabilidade social; outra, equilibrada, sustentável e responsável. Uma, anónima e impessoal; outra, identificada e de confiança.

Que tipo de economia quer o governo promover?

 

 

Post publicado n' A Vida na Terra.

 

 

publicado às 17:12

A comunicação do governo e a lei do incentivo fiscal

por Ana Gabriela A. S. Fernandes, em 09.10.16

Os comentadores televisivos, apesar de se estarem a tornar ligeiramente mais sensatos - o que nos indica uma mudança cultural em curso -, permanecem estranhamente ligados a ideias fixas. Eu explico: uma das críticas mais recentes que se generalizou nas televisões, não há uma comunicação organizada do governo, falam a diversas vozes, lança-se uma informação a ver se pega.

Ora bem, a comunicação do governo está organizada de forma a permitir que as diversas perspectivas, PS, BE, PCP/Verdes sejam percepcionadas como vozes independentes a gerir um acordo de gestão política. Uma informação centralizada no governo iria abafar essa diversidade.


É neste contexto de uma opinião negativa sobre a comunicação do governo, que se tem alimentado a polémica à volta do incentivo fiscal apelidando-o de perdão fiscal. Perdão fiscal é o que vimos acontecer no anterior governo em que se apagou parte da dívida para fazer regressar dinheiro que já estava lá fora. Aqui é bastante diferente: trata-se de negociar uma forma de pagamento dentro das possibilidades de cada devedor.

Como disse um professor especialista em assuntos fiscais e que participou no Expresso da Meia Noite mais recente, não espera que o governo consiga arrecadar grandes montantes com este incentivo fiscal pois, como a maquina fiscal se tem aperfeiçoado, os devedores já não serão os que não querem pagar mas, essencialmente, os que têm dificuldade em pagar. Talvez, mas há quem afiance que também há grandes devedores, grandes empresas, que esperam por um perdão fiscal que ocorre geralmente de 3 em 3 anos.

 


O marketing fiscal do governo, nesta lei, baseia-se num princípio válido: incentivar os devedores a pagarem a sua dívida ao fisco facilitando-lhes a forma de pagar. A estratégia é que poderia ser melhorada: dar incentivos fiscais aos cumpridores, os que pagam no prazo certo.

De que forma? Atribuindo a cada contribuinte uma pontuação que premiasse o seu comportamento cumpridor, por exemplo. Pontuação que poderia ser traduzida num valor x a acrescentar ao valor anual da devolução. 

Mas seria exequível?

À maior parte dos contribuintes, os que trabalham por conta de outrem e os pensionistas, é-lhes retirada a fatia do IRS mal recebem o vencimento ou a pensão.

Os restantes, os que trabalham por conta própria e as empresas e instituições, é que são um desafio para a máquina fiscal. Neste grupo vemos a maior diversidade: os que pagam os seus impostos; os que pagam menos do que deveriam; e os que claramente fogem à sua participação na comunidade.

 

 

 

 

 Post publicado n' A Vida na Terra.

 

 

publicado às 14:42

A transparência fiscal

por Ana Gabriela A. S. Fernandes, em 01.10.16

 

A lei, que permitiria o acesso do fisco às contas bancárias a partir de 50.000 euros, até pode ser melhorada, mas as vozes que se levantaram contra baseiam-se em argumentos pouco válidos e nada construtivos:

- afasta o investimento: de que tipo de investimento estamos a falar?

- prejudica os bancos: quem mais prejudicou os bancos até agora?

- impede a poupança: este sim é o melhor.

 

Para o CDS poupar é depositar valores não declarados, pois de que modo o acesso do fisco ao saldo das contas a partir de um determinado valor poderia ser problemático?

A transparência fiscal é um princípio que garante a igualdade dos cidadãos perante as suas obrigações fiscais. Uns não podem escapar ao fisco que lhes leva logo uma fatia dos seus rendimentos do trabalho, até aqui tudo bem para o CDS. Outros, que escapam ao radar do fisco e depositam o que não declaram, esses também poupam, segundo o CDS.

 

As obrigações fiscais são a contribuição de cada um perante todos os seus conterrâneos, pagando a fatia que lhe compete segundo os seus rendimentos, como um cidadão de pleno direito de um país.

O veto presidencial pode ser, no entanto, uma boa oportunidade para abrir um debate público sobre as implicações da lei.

 

 

 

 

publicado às 09:53


Mais sobre mim

foto do autor


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.


Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2013
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2012
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2011
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2010
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2009
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2008
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2007
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D